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Sirius: A Deusa Sopdet

Sirius: A Deusa Sopdet

Fonte: https://egypt-museum.com/

Na crença do Antigo Egito, Sopdet era uma personificação divina feminina da estrela Sirius. Representando a estrela, cujo nascer helíaco anual coincidia com a cheia do Nilo, Sopdet era associada ao evento mais importante do ano agrícola egípcio. Por anunciar fertilidade e renovação, Sopdet era vista como portadora de vida, renascimento e abundância. Ela também era ligada a Ísis, cujas lágrimas, segundo a tradição oral, faziam o Nilo transbordar.

Ela foi retratada como uma mulher coroada com uma estrela de cinco pontas, ou como uma mulher carregando um vaso de água pura, ecoando sua ligação com a cheia vital do Nilo.

Sopdet era o arauto da vida e do próprio tempo no Egito.
Sopdet era a mensageira da vida e do próprio tempo no Egito. Embora não fosse venerada em vastos templos, era honrada por meio de rituais de reverência, hinos e festivais sazonais que tocavam o coração de todos no país. Quando a estrela reaparecia no horizonte, o povo se alegrava, pois Sopdet havia retornado e, assim, Ísis havia ascendido, e o Nilo voltaria a fluir.

Sopdet (spdt) não era uma deusa menor ou obscura; ela era antiga, venerável e intimamente ligada ao conceito egípcio de ordem cósmica (Ma’at). Seu culto antecede muitas divindades posteriores, remontando ao Antigo Império (c. 2400 a.C.), quando seu nome aparece nos Textos das Pirâmides. Ali, ela é invocada em rituais de ressurreição reais como uma estrela-guia que conduz o rei à vida após a morte.

“O rei aparece como Sopdet no céu, como a estrela viva que abre o ano.”

Seu culto não se baseava tanto em grandes templos ou vastos sacerdócios, mas sim no tempo, na renovação e nos ciclos celestiais. Ela era o relógio celestial do Egito. Todos os anos, o nascer helíaco de Sirius (sua estrela) anunciava a cheia do Nilo e o início do Ano Novo (Wepet-Renpet). Esse evento era celebrado com alegria em todo o Egito, pois significava que os campos logo seriam irrigados, o ciclo agrícola poderia recomeçar e o povo tinha a certeza divina de que a ordem cósmica perdurava.

Assim, o culto a Sopdet se entrelaçou no próprio ritmo da vida. Todo agricultor e sacerdote conhecia sua estrela, mesmo que ela não tivesse templos imponentes como os de Amon ou Rá.

Acredita-se que o principal centro de culto de Sopdet tenha sido no Delta oriental, possivelmente perto da antiga cidade de Sopdet (em grego: Sothis) ou Per-Sopdet, embora os detalhes sejam fragmentários. Suas imagens aparecem em numerosos templos e túmulos, frequentemente ao lado de Ísis e Osíris.

Em Dendera, Sopdet aparece nos tetos astronômicos como parte do festival de Ano Novo, e sua imagem surge em cenas onde os deuses celebram o surgimento de sua estrela. No templo de Seti I em Abidos, ela faz parte da tríade cósmica da renovação, aparecendo com Anukis e Khnum, as divindades das nascentes do Nilo. Sua presença era constante e celestial, e literalmente visível como a estrela no céu todos os anos acima do horizonte.

Sirius (Sopdet) no céu noturno (parte inferior)
Sirius (Sopdet) no céu noturno (embaixo)

Durante o Novo Império (c. 1500–1100 a.C.), os atributos de Sopdet, como renovação, fertilidade e a ascensão das águas, naturalmente a associaram a Ísis, a deusa mais venerada do Antigo Egito.

A própria Ísis era chamada de “aquela que faz o Nilo subir”, e no templo de Dendera, uma inscrição diz o seguinte:

 

 

“Ísis nos céus, Sopdet é o seu nome.”

Essa identificação fez de Sopdet a manifestação celestial de Ísis, enquanto Sah (Órion), o consorte de Sopdet, tornou-se a forma celestial de Osíris. Quando Sopdet surgia no céu da aurora, próximo ao cinturão de Órion, os egípcios viam nela a reunião divina dos dois amantes, anunciando o dilúvio que traria vida.

A influência de Sopdet foi profunda, embora sutil. Ela ancorou o calendário egípcio, que se baseava em seu nascer helíaco. O ano de 365 dias e o grande “Ciclo Sótico” (1.460 anos) foram construídos em torno dela. Ela conectava o céu, a terra e o submundo através dos ciclos do Nilo. Ela representava o eterno retorno, garantindo a sobrevivência do Egito e a legitimidade cósmica do faraó.

Túmulo de Seti I
Túmulo de Seti I

Talvez a escassez de templos e relíquias a tenha tornado obscura para o admirador moderno do Egito, mas para os antigos ela era uma presença universal. Sua estrela (Sírius) brilhava para todos verem, e a cada ano seu retorno era aguardado com reverência e esperança, anunciando a cheia do Nilo e a renovação da própria vida.

 

 

O Sirius greco-romano

A própria estrela, Sirius (α Canis Majoris), é a mais brilhante do céu noturno, por isso todas as civilizações antigas a notaram, desde os egípcios aos gregos, mesopotâmios e até mesmo os astrônomos chineses.

Para os gregos, Sirius era conhecida como Seirios, a estrela flamejante do cão de Órion, uma figura masculina associada ao intenso calor do verão. Poetas gregos como Hesíodo (c. 700 a.C.) já mencionavam Seirios séculos antes da entrada dos gregos no Egito. Em Os Trabalhos e os Dias, Hesíodo alerta os agricultores sobre o calor escaldante que se segue ao nascer da estrela.

“Quando Sirius queima a cabeça e os joelhos,
e a pele fica ressecada pelo calor…”

Quando os gregos chegaram ao Egito após a conquista de Alexandre (332 a.C.), identificaram Sopdet com a palavra Sothis (Σῶθις), uma forma helenizada de seu nome. Nessa época, a astronomia egípcia e a mitologia grega já haviam se fundido. Os gregos, portanto, usaram Sothis para se referir aos aspectos cultuais e calendáricos egípcios da estrela, enquanto mantiveram Seirios para suas próprias associações mitológicas e sazonais.

 

Nos textos greco-egípcios, é comum encontrar a sobreposição de ambos os conceitos, tanto astronomicamente, com a estrela Sirius/Sothis marcando o ano egípcio, quanto mitologicamente, com Seirios, a ardente “estrela do cão” que queima a terra.

Os romanos herdaram a visão grega. Para eles, Sirius tornou-se Canicula (o cachorrinho), cujo nascer helíaco marcava os “dies caniculares”, os dias de cão do verão. Acreditava-se que estes traziam calor, febre e loucura. Mas mesmo no Egito romano, os sacerdotes egípcios veneravam Sótis como uma deusa, e não como a essência masculina dos gregos, particularmente em templos como Dendera e Philae, onde Sopdet (na forma de Sótis) continuava a ser representada derramando as águas do Nilo ou guiando o calendário celeste.

Os egípcios, no segundo milênio a.C., já haviam estabelecido o ciclo sótico, um período de 1.460 anos baseado no nascer helíaco de Sirius, que marcava o Ano Novo. Quando estudiosos gregos como Eudoxo de Cnido (século IV a.C.) e, posteriormente, Ptolomeu, estudaram a astronomia egípcia, incorporaram as observações egípcias à ciência helenística. Assim, a importância científica e sacerdotal de Sirius como marcador temporal (e não a figura mítica em si) consolidou-se do Egito à Grécia (e, mais tarde, a Roma). Gregos e romanos reverenciavam Sirius, mas o Egito conferiu à estrela sua ciência sagrada, enquanto a Grécia lhe deu o mito e a metáfora que ainda hoje romantizamos.

Sopdet

Sopdet era uma das Deusas Astrais do Egito, personificando Sirius, a Estrela do Cão, a estrela mais brilhante do céu austral. Era conhecida como Sothis pelos gregos e associada a muitas divindades, como Ísis, na forma de Ísis Sothis.

No antigo Egito, ela era venerada desde a primeira dinastia como a deusa que trazia o ano novo e a inundação, pois a cada ano a chegada da cheia coincidia com o momento em que o astro reaparecia no horizonte ao amanhecer, após cerca de 70 dias de ausência – fenômeno conhecido como nascer helíaco de Sothis-Sirius. Um nascer helíaco ocorre quando uma estrela, após ter ficado oculta pela luz do dia por um período, pode ser vista novamente pouco antes do nascer do sol.

Este momento definia o ano novo no antigo Egito, preparando-os para a chegada do dilúvio e a fertilidade que traria vida. Portanto, Sopdet era considerada uma deusa da fertilidade devido à terra trazida pelo dilúvio.

Sopdet, Deusa Astral do Egito

Ela precedeu todas as outras estrelas, sendo a Rainha de todas elas e descrita por títulos como “Senhora de Todas as Estrelas” e “Senhora dos Céus”. Ela é conhecida sob muitas formas, tendo sido representada em sua forma humana, e como uma vaca, uma serpente com cabeça de leoa e uma serpente com cabeça de cachorro.

Sopdet, representando Sirius, era consorte de Sah (também deus do trovão!), associado à constelação de Órion, próxima a Sirius. Sopdet, também conhecida como Sirius, e Sah, também conhecido como Órion (ou talvez Betelgeuse), tiveram um filho – o planeta Vênus, personificado pelo deus falcão Sopdu, “Senhor do Leste”. A mitologia de Sopdet também a ligava a Osíris, e com o tempo seu culto se fundiu aos de Osíris e Ísis.

Embora Ardra, na tradição védica, tenha perdido seu caráter feminino de sustentação da vida e seja governado por Rudra, o aspecto mais destrutivo de Shiva, se aprofundarmos o conhecimento oculto, podemos desconsiderar o aspecto autoritário e temível de Ardra na tradição védica e resgatar a imagem egípcia original da Deusa Astral Sopdet, conhecida por sua força e fertilidade.

 

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