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Salto de Sete Quedas – SALTOS DEL GUAIRÁ – O fim das maiores cachoeiras do mundo

Salto de Sete Quedas –  SALTOS DEL GUAIRÁ –

O fim das Maiores Cachoeiras do Mundo, uma das maiores Maravilhas naturais da Terra

Um dos maiores crimes ambientais da história do planeta, as 19 quedas de Guaíra (Salto de sete quedas ou Salto de Guaira) foram destruidas pelo represamento da usina de itaipu em 1982 , pelo presidente da ditadura militar João Fiqueiredo.

Adeus a Sete Quedas -1982

Sete damas por mim passaram,
E todas sete me beijaram.
        Alphonsus de Guimaraens

Aqui outrora retumbaram hinos.
Raimundo Correia

Carlos Drummond de Andrade
100 anos: 1902-2002


Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta expressa sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural do Brasil e da humanidade.

Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa do Caderno B.

O sentimento ecológico do poeta reverberou em todo o país. Um mês depois, ele voltaria à carga, com a crônica “Sete Quedas poderia ser salva” (JB, 07/10/1982). Nesse texto, Drummond transcreve una carta do engenheiro Octavio Marcondes Ferraz — o projetista da hidrelétrica de Paulo Afonso. A carta fora enviada ao poeta exatamente a propósito do poema “Adeus a Sete Quedas”.

Ferraz revela que em 1963 apresentara projeto intitulado “Aproveitamento do Potencial do Salto de Sete Quedas”. A idéia do engenheiro era preservacionista. “Em Paulo Afonso”, diz ele, “projetei a usina preservando a catarata que Deus nos deu.”

“Aproveitamento, em vez de imolação”, destaca Drummond. O argumento do governo militar para a destruição é que seria necessário considerar uma “solução simétrica” em relação ao Paraguai.

No final, diz Drummond, os paraguaios não ficaram tão satisfeitos e Sete Quedas vai passar às novas gerações apenas como uma pálida notícia, um cartão postal de longínquo passado. “Sete quedas por nós passaram,/ e não soubemos, ah, não soubemos amá-las”.

Sete quedas por mim passaram,
e todas sete se esvaíram.
Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele
a memória dos índios, pulverizada,
já não desperta o mínimo arrepio.
Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes,
aos apagados fogos
de Ciudad Real de Guaira vão juntar-se
os sete fantasmas das águas assassinadas
por mão do homem, dono do planeta.

Aqui outrora retumbaram vozes
da natureza imaginosa, fértil
em teatrais encenações de sonhos
aos homens ofertadas sem contrato.
Uma beleza-em-si, fantástico desenho
corporizado em cachões e bulcões de aéreo contorno
mostrava-se, despia-se, doava-se
em livre coito à humana vista extasiada.
Toda a arquitetura, toda a engenharia
de remotos egípcios e assírios
em vão ousaria criar tal monumento.

E desfaz-se
por ingrata intervenção de tecnocratas.
Aqui sete visões, sete esculturas
de líquido perfil
dissolvem-se entre cálculos computadorizados
de um país que vai deixando de ser humano
para tornar-se empresa gélida, mais nada.

Faz-se do movimento uma represa,
da agitação faz-se um silêncio
empresarial, de hidrelétrico projeto.
Vamos oferecer todo o conforto
que luz e força tarifadas geram
à custa de outro bem que não tem preço
nem resgate, empobrecendo a vida
na feroz ilusão de enriquecê-la.
Sete boiadas de água, sete touros brancos,
de bilhões de touros brancos integrados,
afundam-se em lagoa, e no vazio
que forma alguma ocupará, que resta
senão da natureza a dor sem gesto,
a calada censura
e a maldição que o tempo irá trazendo?

Vinde povos estranhos, vinde irmãos
brasileiros de todos os semblantes,
vinde ver e guardar
não mais a obra de arte natural
hoje cartão-postal a cores, melancólico,
mas seu espectro ainda rorejante
de irisadas pérolas de espuma e raiva,
passando, circunvoando,
entre pontes pênseis destruídas
e o inútil pranto das coisas,
sem acordar nenhum remorso,
nenhuma culpa ardente e confessada.
(“Assumimos a responsabilidade!
Estamos construindo o Brasil grande!”)
E patati patati patatá…

Sete quedas por nós passaram,
e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
e todas sete foram mortas,
e todas sete somem no ar,
sete fantasmas, sete crimes
dos vivos golpeando a vida
que nunca mais renascerá.

Drummond: 100 anos
Carlos Machado, 2002

Carlos Drummond de Andrade
In Jornal do Brasil, Caderno B
09/09/1982
© Graña Drummond

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Sete Quedas
Fonte: Editado de Wikipédia
Salto de Sete Quedas
Saltos del Guairá
Características
Altura 114 m
Localização
Rio Rio Paraná
País  Brasil
 Paraguai
Coordenadas 24° 04′ S 54° 17′ W

Salto de Sete Quedas também chamado Sete Quedas do Rio Paraná (em espanhol: Saltos del Guairá) foram as maiores cachoeiras do mundo em volume de água com 13.300 m³/segundo sendo o dobro de volume d’água das Cataratas do Niagara na divisa EUA/Canadá e treze vezes mais caudalosas que as Victoria Falls na Zâmbia. Seu som poderia ser ouvido a 30km de distância, seu canal principal possuía 4km de comprimento e profundidades que variavam entre 140 e 170 metros. Apesar do nome Sete Quedas, são constituídas por 19 Saltos, enumerados em 7 Quedas. As quedas eram um sucesso, Guaíra chegou a ser a cidade turística mais visitada do Brasil até que em 1966 foi decretada a submersão do Salto das Sete Quedas através da Ata do Iguaçu onde ocorreria o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu. O governo havia decretado que a construção da Usina de Itaipu iria alagar as Setes Quedas, uma área em litígio entre Brasil e Paraguay devido a uma demarcação territorial sob a serra de Maracaju. No entanto resquícios delas aparecem quando o nível de água do Lago de Itaipu está baixo, normalmente quando várias tomadas de água na usina de Itaipu são utilizadas simultaneamente. Nos meses de Novembro, Dezembro e Janeiro de 2000/2001 e de novembro e dezembro de 2012 e em janeiro de 2013 uma pequena parte de um dos saltos e grande parte das pedras apareceram no rio.[1][2].

Guaira significa em tupi-guarani “o intransitável, além do que não se pode passar” segundo o Vocabulário Tupi-Guarani Português, de Silveira Bueno, Professor Emérito da USP, que cita vários pesquisadores como fontes.

Descrição

Sua morte foi causada pela ambição política da época. As negociações para a construção da Usina de Itaipu se deram na década de 60, entre o Brasil e o Paraguai. Após seis anos de negociações, em 1966, foi fechado um tratado para a construção da Hidrelétrica de Sete Quedas. A potência hídrica do rio foi o principal atrativo para a construção, além da eliminação do litigio fronteiriço com o Paraguay que também alegava que as Sete Quedas pertenciam ao Paraguay. A divisão territorial se dava (e ainda é) na 5a Queda.

Apesar do nome, eram constituídas por 19 cachoeiras principais, sendo agrupadas em Sete grupos de quedas. Recordistas mundiais em volume d’água, as Sete Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com as cataratas de Foz do Iguaçu. (Foz do Iguaçu antes da Usina de Itaipu contava com aproximadamente 20.000 habitantes) À época, Guaíra era um dos destinos brasileiros mais visitados por estrangeiros. Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é de aproximadamente 30 mil habitantes.

Nomes de alguns Saltos: Salto Arco-Íris, Salto Barão de Mauá, Salto Benjamim Constant, Salto do Caxias, Salto Deodoro, Salto Diretor Francis, Salto Floriano, Salto General Estigaríbi, Salto do Limite, Salto Marechal Lopes, Salto Maria Barreto, Salto Osório, Salto Presidente Franco, Salto Rabisco Mendes, Salto Ruy Barbosa, Salto Saldanha Gama, Salto Saltinho, Salto do Tamandaré, e Salto Thomás Laranjeira.

Eram as únicas cachoeiras do mundo com visitação sobre a parte superior, através das pontes penseis, uma experiência única e inexistente até hoje.

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Na altura do município de Guaíra, havia o Salto de Sete Quedas (Salto Guaíra), que era a maior cachoeira do mundo em volume de água, mas que foi submersa no ano de 1982 com a construção do lago da Usina de Itaipu.

Alagamento

Quando da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu (Que no início das sondagens sobre o potencial hidrelétrico do Rio Paraná, se chamaria Usina de Sete Quedas), ocorreu uma super visitação ao Parque Nacional das Sete Quedas. Milhares de pessoas, de todas as partes do Brasil e do mundo, iam a Guaíra para presenciar os últimos dias das Sete Quedas. Devido à superlotação, em 17 de Janeiro de 1982 ocorreu a queda da ponte Presidente Roosevelt, que dava acesso ao Salto 19, tendo como consequência a morte de 32 pessoas. No entanto, 6 pessoas sobreviveram, salvas por pescadores de Guaíra. A investigação apontou para uma dupla causa: primeiro, a falta de cuidado com a manutenção das pontes sob a presunção de que em breve as Sete Quedas seriam inundadas; e depois, o aumento descontrolado da visitação, pois todos queriam ver os Saltos antes de seu desaparecimento para a formação do lago de Itaipu.

Às vésperas da inundação, uma grande manifestação ocorreu no parque nacional das Sete Quedas. Centenas de pessoas se reuniram e realizaram o ritual indígena Quarup, em memória das Sete Quedas.

Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de Itaipu começou a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou “Saltos del Guaíra”.

Durante a inundação, os moradores de Guaíra iam até a beira do rio para se despedirem das Sete Quedas.

A inundação das Sete Quedas durou apenas 14 dias, pois ocorreu em uma época de cheia do rio Paraná, e todas as usinas hidrelétricas acima de Itaipu abriram suas comportas, contribuindo com o rápido enchimento do lago. O alagamento das Sete Quedas ocorreu somente nos dois últimos dias do alagamento total, ou seja, no décimo segundo dia de alagamento.

Portanto, em 27 de outubro de 1982, 14 dias após o início do enchimento do Lago de Itaipu, o lago estava formado e as quedas, submersas. Nos dias seguintes ao alagamento, apenas as copas das árvores ficavam acima do nível do rio.

De acordo com levantamentos altimétricos a primeira ponte – a do Saltinho – ficava a 204 metros acima do nível do mar, o que significa que o lago formado pela represa de Itaipu, ao atingir sua cota que é de 220 metros acima do nível do mar, deixou esta ponte sob 16 metros abaixo da lâmina de água.

Posteriormente, a parte do afloramento rochoso, próximo a ponte Ayrton Senna, foi dinamitado para melhorar as condições de segurança da navegação.

Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta Carlos Drummond de Andrade expressou sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural do Brasil e da humanidade.

Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa do Caderno B:

Sete quedas por mim passaram,e todas sete se esvaíram.Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele a memória dos índios, pulverizada, já não desperta o mínimo arrepio.

Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes, aos apagados fogos de Ciudad Real de Guaira vão juntar-se os sete fantasmas das águas assassinadas por mão do homem, dono do planeta. Aqui outrora retumbaram vozes da natureza imaginosa, fértil em teatrais encenações de sonhos aos homens ofertadas sem contrato.

Uma beleza-em-si, fantástico desenho corporizado em cachões e bulcões de aéreo contorno mostrava-se, despia-se, doava-se em livre coito à humana vista extasiada. Toda a arquitetura, toda a engenharia de remotos egípcios e assírios em vão ousaria criar tal monumento.

E desfaz-se por ingrata intervenção de tecnocratas. Aqui sete visões, sete esculturas de líquido perfil dissolvem-se entre cálculos computadorizados de um país que vai deixando de ser humano para tornar-se empresa gélida, mais nada.

Faz-se do movimento uma represa, da agitação faz-se um silêncio empresarial, de hidrelétrico projeto. Vamos oferecer todo o conforto que luz e força tarifadas geram à custa de outro bem que não tem preço nem resgate, empobrecendo a vida na feroz ilusão de enriquecê-la.

Sete boiadas de água, sete touros brancos, de bilhões de touros brancos integrados, afundam-se em lagoa, e no vazio que forma alguma ocupará, que resta senão da natureza a dor sem gesto, a calada censura e a maldição que o tempo irá trazendo?

Vinde povos estranhos, vinde irmãos brasileiros de todos os semblantes, vinde ver e guardar não mais a obra de arte natural hoje cartão-postal a cores, melancólico, mas seu espectro ainda rorejante de irisadas pérolas de espuma e raiva, passando, circunvoando, entre pontes pênseis destruídas e o inútil pranto das coisas, sem acordar nenhum remorso, nenhuma culpa ardente e confessada.

(“Assumimos a responsabilidade! Estamos construindo o Brasil grande!”)

E patati patati patatá… Sete quedas por nós passaram, e não soubemos, ah, não soubemos amá-las, e todas sete foram mortas, e todas sete somem no ar, sete fantasmas, sete crimes dos vivos golpeando a vida que nunca mais renascerá.

 Salto das Sete Quedas – O maior crime ambiental da história do Brasil

ver também: https://br.pinterest.com/cleyscholz/adeus-sete-quedas/?lp=true

Cronologia

  • 1979 – Em 29 de outubro o Governo Federal outorgou à Eletrosul, conforme decreto nº 84.126, a concessão para exploração do aproveitamento hidráulica em trecho do Rio Paraná, situado entre a foz do rio Paranapanema, nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, e as Sete Quedas.
  • 1982 – Em 14 de outubro ocorre o fechamento das comportas de Itaipu.
  • 1982 – Em 27 de outubro as Sete Quedas de Guaíra já não estavam mais expostas.

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“Antes e durante o a inundação das quedas foram feitas varias manifestações, mas não surtiram efeito. O governo se mostrava sem opção, procurando demonstrar a riqueza que a Hidrelétrica traria ao país. Sem contar que eles também não procuraram dar muita satisfação à população.Quando uma vez questionado por que não podia fazer nada pelas quedas o Presidente brasileiro da ditadura militar, João Figueiredo, respondeu: “Se eu salvar Sete Quedas, o que vou fazer com aquela tremenda construção de Itaipu?” O que mais nos intriga hoje em dia é a falta de respeito por parte do governo com a natureza, como esses governantes não se sensibilizaram com a beleza das Quedas? Como eles foram tão frios a ponto de matar uma das mais belas obras divinas já presenciadas pelos homens? Como puderam se deixar levar pela ganância? Hoje já não se houve falar nela, a própria Usina de Itaipu não se deu nem o trabalho de lhe fazer uma homenagem. O governo procurou silenciar a covardia para a sua prosperidade, ao contrario, a maior Hidrelétrica do mundo não seria tão glorificada como é hoje.”

Salto de Sete Quedas: a maravilha natural inundada por um lago artificial

Os mais jovens não devem se lembrar, mas apenas a 200 quilômetros ao norte da espetacular Cataratas do Iguaçu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, existia outra maravilha natural ainda mais espetacular do que a remanescente. O Salto de Sete Quedas também chamado Salto Guaíra foi uma série de 18 cachoeiras imensas no Rio Paraná localizado em um ponto onde o rio Paraná era forçado por um estreito desfiladeiro. Ela era a maior cachoeira do mundo em volume de água, até desaparecer com a formação do lago da usina hidrelétrica de Itaipu.

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Com um volume estimado de 49 milhões de litros por segundo (simplesmente o dobro das Niagara Falls), Sete Quedas era considerada a cachoeira mais poderosa da Terra. O turbilhão de água criava um barulho ensurdecedor que podia ser ouvido a 30 km de distância. Por muitos anos, foi uma grande atração turística, até 1982, quando a represa foi criada para abastecer a recém-construída Itaipu.

A Usina de Itaipu é a maior usina hidrelétrica operando em termos de geração de energia anual, gerando cerca de 100 TWh de energia a cada ano, que é responsável por 75% da energia elétrica consumida no Paraguai e 17% do total consumido pelo Brasil. Para construir essa barragem maciça alguns sacrifícios tiveram que ser feitos, e um deles foi inundar as Sete Quedas.

Meses antes do grande dilúvio, milhares de turistas, de todas as partes do Brasil e do mundo, visitaram o Parque Nacional das Sete Quedas para ver as cataratas pela última vez. Devido à superlotação, em 17 de Janeiro de 1982, quando um grupo de turistas entusiasmados atravessava uma passarela suspensa mal conservada, ela entrou em colapso com o peso resultando na morte de 32 pessoas. 6 pessoas sobreviveram, no entanto, salvas por João Mandi, um herói pescador da região que você pode ver no vídeo logo abaixo.

A inundação levou apenas 14 dias, ocorrendo durante a estação das chuvas, quando o nível do rio Paraná se eleva. Em 27 de outubro de 1982, o grande lago (foto 10) estava totalmente formado e as quedas tinham desaparecido. Contudo, resquícios delas aparecem quando o nível de água da usina está baixo. Entre os meses de novembro e dezembro do ano de 2012 e em janeiro de 2013 uma pequena parte de um dos saltos e grande parte das pedras sobressaíram no rio.

O diretor da empresa que construiu a barragem, mais tarde fez uma declaração onde dizia:

– “Nós não estamos destruindo Sete Quedas. Nós apenas estamos transferindo a para Itaipu, cujo vertedouro será um substituto da beleza de Sete Quedas” SQN!

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A lenda das sete quedas do Paraná

Os alunos da EM Prof.ª Maria de Lourdes Oliveira Iha, de Pilar do Sul, comemoraram o Dia do Índio (19 de abril), com uma descendente de uma tribo que fica próxima à cidade de Guarapuava, no Paraná. Cleuza Aparecida de Moraes é avó de um aluno da escola e fez questão de vir pessoalmente contar para os coleguinhas do neto algumas lendas e como funciona sua tribo. Alguns objetos utilizados pelos índios também ficaram expostos na escola. Abaixo a lenda contada pela dona Cleuza.

Naipi e Peri 

“Havia uma tribo que vivia nas margens do rio Iguaçu, no Paraná. Na tribo havia uma índia grávida que chamava a atenção por sua beleza. Todas as tardes ela ia até a margem do rio, onde vivia a maior cobra do mundo, a jiboia. Todos da tribo adoravam essa cobra, que seria como uma deusa deles. Essa jiboia ficava muito feliz quando via a índia. Um dia a cobra escreveu nas águas que a índia teria a filha mais bonita de todas as tribos do mundo e quando ela crescesse, pertenceria às águas. A indiazinha nasceu formosa e foi chamada de Naipi.
O tempo passou e ela se tornou uma bela índia com cabelos negros como a noite, a pele dourada como o por-do-sol e os olhos cor de mel. Todos tinham medo de perdê-la, então, ao completar 15 anos, decidiram formar outra tribo bem longe dali. Peri, que era apaixonado por Naipi, colocou-a num barco e remou rápido para que a jiboia não os visse fugir. Eles remaram, remaram e remaram. Mas a jiboia surgiu ao lado do barco. A cobra fez enormes ondas com a sua cauda e conseguiu derrubar o casal da embarcação nas águas do rio Iguaçu. Peri era um índio muito forte, abraçou Naipi e nadou rápido até a margem do rio.
Quando chegaram em terra firme, a jiboia fez ondas cada vez mais fortes, as margens foram desbarrancando até Naipi cair novamente nas águas e se transformar numa grande pedra. As águas formavam grandes quedas até surgir a maravilhosa e linda catarata do rio Iguaçu. Peri, vendo sua amada transformar em pedra decidiu ficar no local para sempre e, desta forma, admirar a beleza da índia. Ao abrir os braços, Peri se transformou numa bela palmeira que deu muitos frutos. Dos frutos surgiram as sementes que caíam na terra até formar uma bela mata em torno das cataratas do rio Iguaçu”.

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Lenda de Foz do Iguaçu Naipí e Tarobá, lenda das Sete Quedas do Guayrá. Esta lenda começa dizendo que Naipí (nome que significa cabelo de fogo) era uma linda moça, filha do tuxaua (chefe) dos índios Caiuás, eles habitavam no vale mais lindo do mundo, o Piquiri, às margens do rio-mar Paraná (Rio-Grande), que parecia um lago sereno que se estendia por toda região denominada Guayrá. Tarobá (nome que significa sombra de árvore) pertencia a um grupo indígena inimigo. Estava se preparando para reger o destino dos Kaigangues; porém, retardava em aceitar tão honrosa incumbência enquanto Tupã não lhe respondesse às orações e não lhe desse a missão de restaurar a paz entre todas as nações que habitavam as mais férteis terras e as mais belas paisagens do mundo. Nas profundezas do Rio-Grande, habitava uma serpente de tamanho descomunal, a Boi-Úna (cobra preta). Para aplacar a fúria do monstro e permitir que do rio tirasse seu alimento principal, acharam por bem, e assim conseguiram suas benevolências, sacrificar-lhe, a cada ano lunar, a moça escolhida como a mais bela da tribo. Naipí costumava fazer incursões pelas cercanias da taba para colher frutos silvestres, quando foi atraída por um bando de aves multicoloridas que a distraíram, afastando-a cada vez mais de sua taba; quando deu por si, Guaracy (nome que significa sol) desaparecia e Iacy ou Jaci (a lua) começava a pratear o manto negro da noite. Perdida e com medo, não atinava o caminho de volta. Ninguém sobreviveria a uma noite na floresta, pois a escuridão atrai todas as espécies de predadores e bichos peçonhentos. Eis que inesperadamente surge a sua frente seu pior inimigo. Cada vez que se deparassem um Kaigange com um Cuiá, um teria que perecer, tal era o ódio existente entre eles, mesmo que se tratasse de velhos, mulheres ou crianças. 19 Perudá, o deus do amor e emissário de Tupã, com setas certeiras atingiu os corações dos jovens. O amor é a maior força existente, quer nos céus, na terra ou em todos os mundos visíveis e invisíveis. Tarobá sentiu que chegara o sinal que tanto esperava, pois se conseguisse a paz com os Caiuás, a mais poderosa nação depois dos Kaigangues, conseguiria a paz com todas as demais nações. Então pediu Naipí em casamento na certeza de que desta união as duas forças inimigas fariam as pazes. Naipí, porém sabia que o ódio de seu pai para com o grupo indígena de seu amado era tão grande que acreditava que o casamento seria um motivo a mais para o derramamento de sangue entre os seus. Resolveram voltar cada um para o seu grupo, enquanto Naipí prepararia seu pai para a paz e Tarobá aguardaria os conselhos de Tupã. Limitaram-se a um amor platônico, ao amor renúncia, paciente, ao amor não egoísta, não arrogante nem tão pouco melindroso, mas ao amor esperança, leal e ao amor-fé que é o amor eterno. Para matar a saudade, Tarobá, do alto das árvores, avistava Naipí em sua aldeia, passeando nos arredores, apanhando flores, mel e frutas. Ela a dissuadir o seu pai de atacar a tribo de Tarobá, e ele a orar, assim conseguiram a paz pelo maior tempo em toda a história daquelas nações. Eis que chegava a data da consagração, antecedida de muitas danças, músicas, jogos e muito cuim (espécie de bebida preparada com mandioca cozida e fermentada). Como uma catarse, as orgias se estendiam por muitos dias, aliviando assim as tensões que lhes causava o aparecimento de tão horrenda criatura. Essas algazarras iniciavam logo que Guaracy se punha e só acabavam quando Iacy passava por Tatá-Uaçu anunciando um novo dia. A escolha não poderia ter recaído em outra. Não havia nenhuma moça que se comparasse em beleza a Naipí que, já desnuda e amarrada a um tronco à beira do profundo rio, esperava apenas que o monstro a abocanhasse e a levasse consigo. Tarobá atraído pelo barulho dos trocanos (tambores) subiu à copa de um altíssimo pindorama e de lá avistou sua amada. Sem perda de tempo, adentrou pela aldeia e, quantos guerreiros o afrontassem, tantos iam se amontoando no chão; ia vencendo um a um, pois era imbatível. Conseguiu então se aproximar de Naipí, desamarrá-la e coloca-la numa piroga (canoa). Com fortes e ágeis remadas, 20 afastava-se cada vez mais das lanças, flechas e tacapes que lhes arremessavam. Quando viram que não alcançariam os dois, foram comunicar ao Boi-Úna que, cheio de ódio e ébrio de cauim, começou a enrodilhar-se e a contorcer-se, começando então a formarem-se as primeiras fendas e corredeiras do rio-mar. Como era muito lento e muito grande, o monstro, ao se aproximar com grande dificuldade da piroga, preparou um tremendo bote e deu uma terrível rabanada, não a acertando, mas abrindo uma grande fenda, a primeira das sete; depois tentou atingi-los por mais vezes. Na sétima e derradeira, mesmo sabendo que o esforço lhe custaria a própria vida, pois havia esgotado quase todas as energias, desferiu uma potentíssima chicotada, mas antes de morrer fez a canoa e os dois amantes despencarem na mais profunda das Sete Quedas do Guayrá (Guairá-PR). Naipí desapareceu nas profundas e revoltas águas e Tarobá ficou preso à beira do precipício onde se petrificou, bipartindo as águas da mais alta das quedas. Diz a lenda que nas noites em que Iacy vem pratear o manto negro da noite, Naipí emerge das profundezas e fica olhando para a estátua de seu amado, e se escutam em toda região lindas canções de amor. E a paz reinou afinal.
*** As Sete Quedas do Guayrá situam-se no município de Guaíra. Seu principal acidente geográfico é o rio Paraná. Com a construção da maior hidroelétrica, as Sete Quedas estão submersas no lago Itaipu, nome que significa fonte das pedras ou canto das pedras. Fonte: Folclore no Paraná – CEDITEC – SEED – PR
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As “Sete Quedas” tinham o maior queda de água do mundo segundo Guinness Book, antes de um novo reservatório. Completada em 1982, A hidroelétrica de Itaipu, foi um empreendimento conjunto entre os governos do Brasil e do Paraguai. Antes da represa ser construída, as cachoeiras eram a principal atração turística. Supostamente nomeada assim por causa de um Chefe Índio, embora houvessem 7 quedas principais, haviam um total 18 quedas, no total. As quedas tinham uma altura total de 114 m., e o som das águas poderiam ser ouvido à uma distância aproximada de 32 km. As quedas também foram famosas, por seus constantes arco-íris criados por gotinhas minúsculas de névoa da água agitada

A Companhia Matte Laranjeira S.A. foi responsável pelo levantamento da área dasquedas, demarcando 7 grupos com 19 saltos assim identificados na época:

1ª Queda:
Salto do Limite
Salto do Caxias
Salto do Tamandaré 5ª Queda:
Salto Barão de Mauá
Salto Rabisco Mendes

2º Queda:
Salto Presidente Franco
Salto Diretor Francis
Salto Deodoro 6ª Queda:
Salto Ruy Barbosa
Salto Maria Barreto

3ª Queda:
Salto General Estigaríbia
Salto Osório 7ª Queda:
Salto Thomás Laranjeira
Salto Floriano
Salto Saltinho

4ª Queda:
Salto Marechal Lopes
Salto Benjamim Constant
Salto Saldanha Gama

O desaparecimento das Sete Quedas, as maravilhosas Cataratas do rio Paraná, em função da construção da barragem da Central Hidrelétrica de Itaipu Binacional, ocorrido no final de 1982, realmente foi uma grande perda para o patrimônio da humanidade.
Segundo o Guinness Book 1974, As quedas de Guaíra eram considerada a maior do mundo por causa da sua vazante.

O que era antes do desaparecimento

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O que é hoje:

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O motivo:

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SETE QUEDAS (A lenda de Naipi)

SETE QUEDAS (A lenda de Naipi)

Na tribo dos coroados
que vivia as margens do rio Iguaçu,
havia uma bela índia grávida
que todas as tardes orava
ao deus dono das águas.

Todas as tribos adoravam a cobra,
que fazia serpentear os rios.
Que feliz ao ver a bela índia
profetizou escrevendo nas águas.

Terás uma linda filha
a índia mais linda do mundo.
ao crescer pertencerá
às águas do Iguaçu.

Dela nasceu uma indiazinha
que se chamou Naipi.
Cresceu bela e formosa
de cabelos negros profundos,
e amendoadas esmeraldas seus olhos
em contraste do ouro da sua pele
com o dourado ao por do sol.

Todos adoravam na
e não queriam perdê-la
ao completar 15 anos,
decidiram levá-la para longe
no intuito de protegê-la.

Peri, apaixonado
levou Naipi para longe.
na fuga pelas margens do Iguaçu.
O Deus Rio que se fez revolto
em ondas destruindo tudo
até que Naipi precipitou se no rio
e ali se fez em pedra.

As águas que ao destruírem as margens
e se fizeram em quedas
formaram uma linda catarata
que terminavam no eterno choque
fustigava o seu contato com Naipi
que agora é pedra.

Peri, vendo sua amada
assim transformada
decidiu ficar para sempre ali
admirando a beleza das sete quedas.

De braços abertos
se transformou em palmeira.
As matas entorno às cataratas
vieram das suas sementes
e se formaram ao caírem nas terras
ao  redor das cascatas.

Dante Locateli

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